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Longe do plenário e sem justificativa, vereador é apelidado de “Home Office” participa da sessão de forma on-line e protagoniza bate-boca na Câmara de Sooretama

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O vereador Talis Padilha (PL) participa de sessões on-line e vira alvo de questionamentos sobre presença física na Câmara. Discussão com o colega Igor Costa Silva (PODEMOS) ocorreu durante sessão marcada por bate-boca, acusações e pedidos de investigação.

A expressão “vereador home office” ganhou força no debate político na cidade de Sooretama, norte do EspíritoSanto, após um bate-boca entre os vereadores Talis Padilha (PL) e Igor Costa Silva (PODEMOS) durante a 26ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal, realizada no dia 13 de outubro. Participando de forma on-line, Talis foi questionado pelo colega sobre a frequência com que comparece presencialmente ao Legislativo. A discussão, transmitida ao público que acompanhava no plenário e na transmissão ao vivo, expôs divergências sobre o comportamento dos parlamentares, o respeito entre os vereadores e a fiscalização da atuação política no município.

O episódio começou quando o vereador Igor ocupou a tribuna para defender o respeito ao ex-prefeito Alessandro Broedel, que acompanhava a sessão presencialmente. Em sua manifestação, Igor também fez cobranças relacionadas à divulgação de eventos municipais e criticou a falta de comunicação antecipada sobre a programação do Dia das Crianças.

“Senhor presidente, começo reiterando meu total respeito a Alessandro, como ex-gestor, como pessoa e como morador deste município. Ele merece ser respeitado nesta Casa. A verdade precisa prevalecer, doa a quem doer. Acabei de ver uma mensagem no WhatsApp e entendo que a verdade deve prevalecer.

Já vi vários ex-vereadores ocuparem esta mesa. Reitero também meu respeito ao senhor, presidente. Como o senhor mesmo diz, as prerrogativas são suas, porque o senhor preside esta Casa de Leis.

Peço respeito a Alessandro pelo gestor que foi neste município. Hoje ele está aqui, como ele mesmo disse, na condição de morador, assistindo à sessão. Como ex-prefeito e morador, ele tem o direito de vir aqui cobrar. Afinal, é um dos que pagam o nosso salário e tem o direito de estar presente.”

 

A fala abriu espaço para a manifestação de Talis Padilha, que participava da sessão de forma on-line. O vereador afirmou que pretendia defender sua própria imagem diante de declarações relacionadas a uma mensagem atribuída ao ex-prefeito. A partir daí, o debate ganhou contornos de confronto político.

“Nunca faltei com respeito à pessoa de Alessandro no âmbito pessoal. Quero deixar claro, vereador Igor, que nunca desrespeitei pessoalmente vereador ou prefeito algum, nem qualquer pessoa da população. Também nunca chamei alguém de vagabundo ou de corno.”

Vereador questiona presença física de colega

Durante a réplica, Igor dirigiu-se diretamente a Talis e questionou sua participação remota nas sessões da Câmara. “Ele está em home office ou não?”, perguntou Igor, ao argumentar que o colega não se encontrava fisicamente no plenário. O vereador também questionou quando Talis teria comparecido presencialmente a uma sessão e afirmou que a participação exclusivamente on-line representava, em sua avaliação, falta de respeito com a Casa Legislativa.

Igor ainda contestou a utilização da regra do Regimento Interno que permite a participação remota dos parlamentares em parte das sessões ordinárias, brecha regimental utilizada por Talis. Para ele, a norma precisa ser analisada à luz da atual frequência das reuniões da Câmara.

Talis, por sua vez, não aceitou as críticas sem resposta. O parlamentar afirmou que estava defendendo sua honra e rebateu as declarações do colega, ampliando o confronto diante dos vereadores e das pessoas que acompanhavam a transmissão.

Regra criada na pandemia virou motivo de questionamento

A polêmica envolve uma regra estabelecida durante a pandemia da Covid-19, quando a Câmara de Sooretama passou a permitir a participação remota dos vereadores em até 50% das sessões ordinárias mensais.

Naquele período, o Legislativo realizava quatro sessões por mês. Atualmente, conforme as informações apresentadas sobre o funcionamento da Casa, as reuniões ordinárias ocorrem a cada 15 dias. O questionamento é se a regra, mantida após a mudança na frequência das sessões, continua adequada à realidade atual do Legislativo.

Registros de participação citados no levantamento sobre o caso apontam que Talis Padilha participou remotamente das sessões dos dias 3 de agosto, 17 de agosto, 14 de setembro e 13 de outubro.

Sem justificativa formal, participação remota levanta questionamentos

Outro ponto que amplia a polêmica é a ausência, até o momento, de uma justificativa formal conhecida que explique a participação remota do vereador Talis Padilha nas sessões da Câmara de Sooretama.

Segundo informações repassadas por fontes ligadas ao próprio vereador, a participação on-line estaria relacionada ao fato de o parlamentar não se encontrar na cidade e estar dedicando parte de seu tempo à campanha do segundo turno da disputa pelo Governo do Espírito Santo.

A informação não foi confirmada, mas acrescenta um novo elemento ao debate sobre a utilização do mecanismo de participação remota. Isso porque a regra que permite aos vereadores acompanhar as sessões pela internet foram estabelecidas durante a pandemia, em um contexto excepcional, e permanece em vigor mesmo após mudanças na frequência das reuniões legislativas.

A questão que se coloca é se a suposta ausência do município para compromissos relacionados à campanha eleitoral justifica a participação a distância e se essa circunstância estaria amparada pelas regras internas da Câmara. Enquanto isso, a recorrência das participações on-line mantém em evidência o apelido de “vereador home office”, utilizado durante o confronto em plenário e que passou a sintetizar as críticas à ausência física do parlamentar nas sessões.

Debate termina com pedido de sindicância

A discussão também avançou para acusações relacionadas a declarações ofensivas atribuídas a Igor Costa Silva. Talis solicitou à Mesa Diretora a abertura de uma sindicância para apurar uma possível quebra de decoro parlamentar, alegando que o colega teria sido processado e condenado por declarações dirigidas a moradores.

Igor respondeu que cabe à Justiça determinar quem tem razão em eventuais processos. Durante a discussão, a presidência da Câmara advertiu Talis sobre o uso de expressões consideradas inadequadas e alertou que poderia encerrar a sessão caso o comportamento persistisse.

Ao final, Talis reiterou o pedido de apuração, enquanto o presidente afirmou que caberia a ele decidir sobre a abertura da sindicância.

Entre o plenário e a tela

O episódio deixou uma questão em evidência: qual deve ser o limite para a participação remota de vereadores em um Legislativo que já não funciona com a mesma frequência de sessões adotada durante a pandemia?

A participação pela internet é uma possibilidade prevista nas regras da Câmara, mas a utilização recorrente desse recurso pode gerar questionamentos políticos e administrativos, especialmente quando a população espera que seus representantes estejam presentes para debater demandas e prestar contas de sua atuação.

Em Sooretama, o apelido “vereador home office” passou a resumir o questionamento levantado durante a sessão. Mais do que a troca de acusações entre os parlamentares, o caso coloca em discussão a necessidade de regras claras, transparência sobre as participações remotas e critérios que assegurem o funcionamento adequado do Poder Legislativo.

ESPAÇO ABERTO PARA MANIFESTAÇÃO

O Azulinho FM mantém seu espaço aberto à Câmara Municipal de Sooretama, por meio de sua Assessoria de Comunicação, bem como aos vereadores Talis Padilha e Igor Costa Silva, para o envio de esclarecimentos, posicionamentos ou notas oficiais sobre os fatos abordados nesta reportagem. As manifestações poderão ser encaminhadas à redação pelo e-mail para publicação.

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