Prefeito de Baixo Guandu se pronuncia após afastamento, mas fica a pergunta: ninguém o alertou sobre o risco daquele vídeo?

Afastado por decisão da Justiça Eleitoral, Lastênio Cardoso afirma que apresentará defesa. Além das suspeitas investigadas, o episódio expõe os riscos de decisões de comunicação sem uma avaliação adequada das consequências políticas e jurídicas.
O afastamento do prefeito de Baixo Guandu, Lastênio Cardoso, por decisão da Justiça Eleitoral, colocou no centro do debate um vídeo publicado nas redes sociais em que ele relaciona a eleição para o governo do Espírito Santo à manutenção de empregos na Prefeitura. A declaração, que menciona a possibilidade de demissão de cerca de 700 servidores, motivou uma investigação da Polícia Federal por suspeita de coação eleitoral.
O caso também levanta uma questão sobre os bastidores da comunicação política: como um conteúdo dessa natureza foi produzido e publicado sem que seus possíveis riscos fossem evitados?
A publicação de um vídeo institucional ou político envolve diferentes etapas, desde a definição da mensagem e a gravação até a edição, a publicação e o acompanhamento da repercussão. Em estruturas profissionais, esse processo também pode incluir a avaliação de riscos jurídicos, eleitorais e de imagem.
Quando a comunicação deixa de ser apenas comunicação
Em administrações públicas e campanhas políticas, o trabalho de assessoria vai além de produzir vídeos, elaborar discursos e administrar redes sociais. Também envolve avaliar o contexto, identificar riscos e apresentar ao assessorado informações que possam evitar decisões prejudiciais.
Isso inclui alertar quando uma mensagem pode gerar interpretações jurídicas, provocar uma crise de imagem ou comprometer a relação entre o agente público e a população.
A atuação de uma equipe de comunicação não se resume a executar decisões. O aconselhamento profissional também pressupõe análise crítica, inclusive quando há necessidade de recomendar que determinado conteúdo não seja publicado.
Entretanto, a existência de uma crise não prova, por si só, que houve falha da assessoria. Para avaliar a atuação dos profissionais envolvidos, seria necessário conhecer o processo de produção, as orientações fornecidas e as decisões tomadas antes da divulgação.
O que se sabe sobre o caso
A investigação da Polícia Federal tem como foco um vídeo publicado em 10 de outubro, no qual Lastênio Cardoso pede votos para Ricardo Ferraço, candidato ao governo estadual, e associa o resultado eleitoral à manutenção de empregos públicos e à continuidade de obras e serviços municipais.
Na segunda-feira (19), uma operação policial cumpriu mandados de busca e apreensão, e a Justiça Eleitoral determinou o afastamento temporário do prefeito.
O caso é investigado sob suspeita de coação eleitoral. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias das declarações e se houve tentativa de pressionar servidores municipais em razão da escolha eleitoral.
As medidas judiciais não representam uma condenação, e a responsabilidade dos envolvidos ainda depende da apuração dos fatos.
Prefeito se manifesta e promete apresentar defesa
Após o afastamento, Lastênio publicou uma nota nas redes sociais afirmando que respeitará a decisão judicial e apresentará sua defesa.
O prefeito ressaltou que a medida é cautelar e temporária, e declarou que não abrirá mão de defender sua honra e esclarecer os fatos pelos meios legais.
Na manifestação, também pediu serenidade à população e afirmou que a prioridade deve ser a preservação dos serviços públicos e do atendimento aos moradores.
Segundo a nota, o afastamento tem prazo previsto até 26 de outubro de 2026.
Uma crise que vai além das redes sociais
O episódio demonstra como uma publicação pode ultrapassar o ambiente digital e produzir consequências políticas, administrativas e judiciais.
Em situações que envolvem agentes públicos, a comunicação precisa considerar não apenas o alcance e o engajamento de uma postagem, mas também seu conteúdo, o contexto eleitoral e os possíveis efeitos sobre a administração pública.
A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do vídeo e as responsabilidades eventualmente identificadas. Já a avaliação sobre a atuação da equipe de comunicação depende de informações que ainda não estão publicamente estabelecidas.
O espaço permanece aberto para manifestações do prefeito, de sua defesa, da Prefeitura de Baixo Guandu e dos profissionais eventualmente envolvidos na produção do conteúdo.
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