De escritor de best-sellers ao Planalto: quem é Augusto Cury, candidato à Presidência

Conhecido por milhões de brasileiros por seus livros sobre inteligência emocional, ansiedade e comportamento humano, Augusto Cury decidiu trocar, ao menos durante a campanha eleitoral, os palcos de palestras pelo centro da política nacional. Aos 67 anos, ele disputa pela primeira vez a Presidência da República e tenta se apresentar como uma alternativa à polarização política do país.
Candidato pelo Avante, Cury nasceu em Colina, no interior de São Paulo. É médico formado pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto e construiu sua trajetória profissional como psiquiatra, escritor, pesquisador e palestrante.
Antes de entrar para a política, tornou-se nacionalmente conhecido por obras como “O Vendedor de Sonhos”, “Ansiedade: Como Enfrentar o Mal do Século”, “Nunca Desista de Seus Sonhos” e “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes”. Seus livros foram publicados em dezenas de países e alcançaram milhões de exemplares vendidos.
“O Vendedor de Sonhos”, uma de suas obras mais conhecidas, também ganhou uma adaptação para o cinema em 2016, dirigida por Jayme Monjardim.
Estreia na política
A disputa pela Presidência representa a estreia de Augusto Cury em uma eleição. Sua candidatura foi oficializada pelo Avante em agosto de 2026, tendo o ex-deputado federal Júlio Delgado como candidato a vice-presidente.
Cury chegou à campanha defendendo um discurso de pacificação nacional e fazendo críticas à divisão política entre grupos de esquerda e direita. O candidato afirma que pretende promover o diálogo entre pessoas com pensamentos diferentes e colocar a saúde emocional no centro das políticas públicas.
Essa proposta tem relação direta com sua trajetória profissional. Cury é o criador da chamada Teoria da Inteligência Multifocal, utilizada como fundamento em seus livros, cursos e projetos voltados à gestão das emoções. A teoria, porém, não possui reconhecimento consolidado no meio científico e também é alvo de questionamentos acadêmicos.
O que Augusto Cury defende
Entre as propostas apresentadas pelo candidato estão investimentos em educação emocional, ações de prevenção aos transtornos mentais e medidas para reduzir o impacto do uso excessivo das redes sociais sobre crianças e adolescentes.
Na economia, Cury defende o incentivo ao empreendedorismo e propõe a criação de milhares de clubes de empreendedorismo em escolas, universidades, comunidades e instituições religiosas.
O candidato também fala em mudanças no sistema político e no funcionamento das instituições. Entre elas estão o fim da reeleição para cargos do Poder Executivo, a adoção do voto distrital, mandatos com duração determinada para ministros do Supremo Tribunal Federal e uma possível transição para o parlamentarismo.
As propostas fazem parte do programa apresentado pela candidatura ao Tribunal Superior Eleitoral e ainda deverão ser detalhadas e debatidas ao longo da campanha.
Patrimônio chama atenção
Além da popularidade alcançada por meio dos livros, outro ponto que chamou atenção durante a campanha foi o patrimônio declarado por Augusto Cury à Justiça Eleitoral.
O candidato informou possuir aproximadamente R$ 242 milhões em bens, o maior patrimônio declarado entre os presidenciáveis neste processo eleitoral. Segundo ele, os recursos foram construídos a partir de sua atuação no mercado editorial, de investimentos e de empreendimentos ligados ao agronegócio.
Casado, pai de três filhas e avô, Cury se apresenta como produtor rural, empresário e gestor, além de médico e escritor.
Agora, o autor que passou décadas escrevendo sobre a mente humana tenta convencer o eleitorado de que sua experiência fora da política pode ser aplicada na administração do país. A entrevista concedida pelo candidato amplia a exposição de um nome já conhecido nas livrarias, mas que ainda busca se tornar conhecido também como uma opção nas urnas.
