Xeque-mate na Câmara de Linhares? Bastidores, disputa pela presidência e julgamento no TRE-ES podem mudar o jogo político

Possível ida de Roninho Passos para o Executivo, articulação de Yupi Silva pelo comando do Legislativo e julgamento envolvendo o PP colocam três movimentos no radar da política linharense.
A política de Linhares pode entrar em uma fase de intensas movimentações nas próximas semanas. Entre conversas de bastidores, articulações pela presidência da Câmara Municipal e uma disputa judicial que pode alterar a distribuição das cadeiras, o cenário político local reúne ingredientes capazes de provocar mudanças importantes na atual legislatura.
O primeiro movimento envolve o futuro do atual presidente da Câmara, Roninho Passos (Podemos). O segundo passa pela consolidação de Yupi Silva (PSB) como candidato à presidência da Casa. Já o terceiro está nas mãos da Justiça Eleitoral e pode resultar em uma nova alteração na composição partidária do Legislativo.
Embora os três cenários tenham origens diferentes, eles podem se cruzar em um momento decisivo para a reorganização das forças políticas do município.
Roninho Passos no Executivo? Bastidores apontam possível mudança
Uma das especulações que movimentam os bastidores políticos de Linhares é a possibilidade de Roninho Passos deixar temporariamente a Câmara para assumir uma secretaria na administração municipal.
Informações que circulam no meio político apontam que um convite do Executivo teria sido apresentado ao parlamentar e estaria sob avaliação. Existe a hipótese de Roninho assumir uma secretaria municipal. Até o momento, porém, não há confirmação oficial da nomeação.
A discussão ganhou força depois que Roninho anunciou publicamente que não pretende disputar a reeleição para a presidência da Câmara no biênio 2027-2028.
Durante coletiva de imprensa realizada em outubro, o vereador explicou que a decisão considera as exigências da função, as responsabilidades do próprio mandato e o momento familiar vivido após o nascimento de suas filhas gêmeas, Jasmim e Serena.
Na data em que se comemora o dia do servidor público, 28 de outubro, Roninho, a Esposa Eliete e sua filha mais velha Ariela comemoraram a chegada das novas integrantes da família. A chegada das meninas, comemorada pelo parlamentar e pela família, abre uma nova etapa pessoal para Roninho.
Nos bastidores, uma eventual ida para o Executivo representaria mais do que uma mudança de função. Seria também uma reorganização da relação política entre o Legislativo e a Prefeitura, com reflexos sobre a ocupação de uma cadeira na Câmara e a distribuição de responsabilidades dentro da Casa.
Gilson Lima pode ganhar uma oportunidade na Câmara
Caso Roninho deixe o mandato para assumir uma secretaria, a tendência será a convocação do suplente habilitado conforme as regras eleitorais e legislativas.
Nesse cenário, o nome de Gilson Lima, conhecido como Gilsinho do Sindicato, aparece como possível beneficiado.
Nas eleições municipais de 2024, ele obteve 1.346 votos, resultado expressivo que o colocou na posição 14 entre os 20 candidatos mais votados de Linhares, embora não tenha conquistado uma das cadeiras disponíveis naquele pleito.
Servidor público efetivo do município, Gilson atua como motorista de ambulância e mantém histórico de ligação com o comércio local e com a representação dos servidores públicos municipais.
Sua trajetória eleitoral também não começou agora. Em 2004, disputou uma vaga de vereador obtendo 84 votos. Em 2016, voltou às urnas e alcançou 551 votos.
Uma eventual chegada ao Legislativo representaria, portanto, a concretização de uma trajetória construída ao longo de diferentes disputas eleitorais e de sua atuação profissional no serviço público.
Para o grupo político, a mudança também poderia significar a entrada de um representante com ligação direta com o funcionalismo municipal, segmento que possui peso importante no debate público da cidade.
É importante ressaltar, contudo, que a convocação dependerá da efetiva saída de Roninho e da formalização dos procedimentos necessários.
Yupi Silva ganha força e mira a presidência da Câmara
Se a possível mudança de Roninho movimenta a composição das cadeiras, a disputa pela presidência da Câmara já tem um protagonista definido nos bastidores: Yupi Silva, atual vice-presidente da Casa.
O vereador vem trabalhando para construir uma composição capaz de garantir a eleição para o comando do Legislativo no biênio 2027-2028.
Em entrevistas recentes, Yupi afirmou que já tinha uma chapa montada e declarou contar, naquele momento, com o apoio de sete dos 17 vereadores.
Yupi pertence ao PSB e tem buscado consolidar sua posição política no município. Sua proximidade com lideranças do mesmo campo partidário e, sua atuação na base governista na eleição de Renato Casagrande para o senado e Manuela Pedroso para a câmara federal podem contribuir para ampliar sua capacidade de articulação.
Entretanto, a eleição da Mesa Diretora exige negociação com os demais parlamentares. Apoios declarados publicamente não eliminam a possibilidade de mudanças de posição, formação de outros grupos ou apresentação de candidaturas concorrentes.
A eventual saída de Roninho para o Executivo também pode alterar o ambiente das negociações, especialmente se houver mudanças na composição partidária e na distribuição de espaços políticos.
Para Yupi, o desafio será transformar o apoio já anunciado em votos suficientes para comandar o Legislativo.
Julgamento no TRE-ES pode tirar Kauan do Salão e abrir espaço para o PL
O terceiro movimento tem origem judicial e pode produzir uma alteração direta na composição da Câmara Municipal.
O caso envolve o Partido Progressistas (PP) e uma ação eleitoral que apura suspeita de fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024.
A investigação foi proposta pelo Ministério Público Eleitoral, que apontou indícios de que uma candidatura feminina teria sido utilizada para cumprir formalmente a exigência legal de participação de mulheres na disputa proporcional.
O assunto já havia sido noticiado pela imprensa estadual em dezembro de 2024. Em junho de 2026, veículos de comunicação de Linhares informaram que a Justiça Eleitoral de primeira instância reconheceu a fraude e determinou a cassação da chapa proporcional do PP, com anulação dos votos da legenda e recálculo da distribuição das vagas.
A decisão atingiu diretamente a situação do vereador Kauan do Salão, eleito pelo partido. O caso, entretanto, seguiu para a instância superior, onde a sentença pode ser confirmada ou reformada.
Segundo informações sobre o andamento do processo divulgadas nos bastidores, o julgamento no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo estaria empatado em três votos favoráveis à manutenção da decisão e três contrários, restando o voto do presidente da Corte.
A expectativa informada é de que o julgamento seja retomado na quarta-feira, 4 de novembro, às 17h, em sessão plenária com transmissão pelo canal oficial do TRE-ES no YouTube. A data e a situação atual da votação devem ser conferidas na pauta oficial do Tribunal antes da publicação.
O que pode acontecer se a decisão for mantida?
Se a sentença for confirmada e produzir os efeitos previstos, a Justiça Eleitoral deverá realizar os procedimentos de retotalização dos votos e de recálculo dos quocientes eleitoral e partidário, conforme o alcance da decisão.
Esse processo pode modificar a distribuição das vagas entre os partidos e abrir caminho para a entrada de Cabo Bonadiman, do Partido Liberal (PL), na Câmara de Linhares.
Bonadiman já bateu na trave três vezes, tem uma trajetória política marcada por disputas eleitorais e tentativas de conquistar uma cadeira no Legislativo. Além de sua atuação política, concorreu em 2026 a uma vaga na Câmara dos Deputados, obtendo 11.921 votos, mas não foi eleito.
Uma eventual chegada à Câmara Municipal representaria uma nova oportunidade de atuação parlamentar e ampliaria a presença do PL no Legislativo linharense.
É importante destacar que a mudança não ocorre automaticamente pela existência de uma sentença de primeira instância. A efetiva substituição depende do resultado do julgamento, dos efeitos jurídicos da decisão e dos procedimentos eleitorais necessários.
Com Bonadiman, quem assume a suplência do PL?
Caso Cabo Bonadiman venha efetivamente a ocupar uma cadeira na Câmara, outra consequência política poderá surgir dentro do próprio PL.
A conselheira tutelar Renabia Leite passaria a ocupar a posição de primeira suplente da legenda, conforme a ordem de suplência considerada neste cenário.
A mudança demonstra como uma decisão judicial envolvendo um partido pode repercutir para além do vereador diretamente atingido, alterando também as perspectivas de outros nomes que disputaram as eleições.
Nesse contexto, o julgamento não interessa apenas ao PP ou ao PL. Ele também será acompanhado por parlamentares, lideranças partidárias e grupos políticos que observam os possíveis efeitos da nova distribuição de forças no Legislativo.
O que está realmente em jogo na Câmara de Linhares?
A combinação dos três movimentos revela que a política linharense pode enfrentar uma reorganização em diferentes níveis.
De um lado, uma eventual saída de Roninho Passos para o Executivo abriria espaço para a convocação de um suplente e poderia modificar a dinâmica política da Câmara.
De outro, Yupi Silva tenta consolidar sua candidatura à presidência, em uma disputa que envolve alianças, negociações e a construção de maioria entre os vereadores.
Ao mesmo tempo, o julgamento eleitoral envolvendo o PP pode provocar uma alteração na distribuição das cadeiras, com possível entrada de Cabo Bonadiman e mudança na ordem de suplência do PL.
São processos distintos, mas que se desenvolvem em um mesmo ambiente político e podem influenciar a correlação de forças dentro da Casa de Leis.
A principal questão, portanto, não é apenas quem entra ou quem sai da Câmara. É como essas mudanças podem repercutir nas alianças, na eleição da próxima Mesa Diretora e na relação entre o Legislativo e o Executivo municipal.
As próximas semanas poderão esclarecer se os rumores de bastidores se transformarão em decisões concretas e se o julgamento eleitoral produzirá uma nova configuração partidária.
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