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Qual candidato foi melhor na sabatina? Veja o resumo de cada entrevista no JN

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Zema, Caiado, Renan Santos, Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury foram entrevistados pela Globo; veja os principais temas, propostas, polêmicas e momentos que marcaram a rodada

A semana foi marcada por um dos primeiros grandes testes dos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026. Entre os dias 24 e 29 de agosto, a TV Globo realizou uma série de sabatinas com seis presidenciáveis, em entrevistas conduzidas por Renata Vasconcellos e César Tralli.

Passaram pela bancada Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante). A ordem das entrevistas foi definida por sorteio.

As conversas tiveram como característica perguntas consideradas duras pelos candidatos e abordaram temas como economia, segurança pública, corrupção, saúde, educação, meio ambiente, 8 de Janeiro, anistia, previdência, contas públicas e propostas para o futuro do país.

A rodada também produziu momentos de tensão, respostas consideradas evasivas, declarações polêmicas e diversas checagens de fatos.

ROMEEU ZEMA: economia, segurança e uma declaração que virou polêmica

O ex-governador de Minas Gerais foi o primeiro candidato a enfrentar a bancada, no dia 24 de agosto.

Zema tentou transformar sua experiência à frente de Minas Gerais em seu principal cartão de visitas. O candidato destacou os resultados fiscais de sua gestão e afirmou ter recebido o Estado com déficit e deixado as contas em situação superavitária.

A economia, entretanto, foi acompanhada de questionamentos sobre o crescimento da dívida mineira. Checagens posteriores consideraram que Zema acertou ao citar resultados das contas públicas, mas exagerou em algumas afirmações sobre a dívida estadual.

Na segurança pública, o candidato defendeu endurecimento contra criminosos e criticou mecanismos existentes no sistema penitenciário.

Foi justamente nesse tema que surgiram algumas das principais contestações. A Lupa apontou erros em declarações de Zema sobre criminalidade, feminicídios em Minas Gerais e a legislação relacionada às saídas temporárias de presos.

Outro momento que repercutiu fortemente nas redes sociais ocorreu quando Zema, ao falar sobre políticas de combate à violência contra as mulheres, utilizou uma expressão que foi interpretada como se ele tivesse dito possuir “programas contra as mulheres”. A fala acabou virando um dos principais memes da entrevista.

Principais temas: economia, dívida pública, segurança, feminicídio, sistema prisional e gestão de Minas Gerais.

Principal polêmica: declarações sobre feminicídio e segurança pública, além da frase sobre “programas contra as mulheres”.

Impressão geral: Zema manteve uma postura relativamente controlada e procurou se apresentar como gestor, mas teve declarações contestadas e enfrentou dificuldades ao ser pressionado sobre resultados de sua administração.

RONALDO CAIADO: anistia, segurança e confronto com os entrevistadores

No dia seguinte foi a vez de Ronaldo Caiado.

O candidato do PSD tentou se posicionar como uma alternativa entre Lula e o campo bolsonarista, mas sem abrir mão de pautas caras à direita.

Um dos assuntos mais importantes foi a anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. Caiado defendeu uma anistia ampla, incluindo Jair Bolsonaro, argumentando que a medida seria necessária para “pacificar o Brasil”.

Na segurança pública, apresentou uma proposta de criação da chamada “Sulpol”, uma estrutura de cooperação policial entre países da América do Sul para combater o narcotráfico.

Caiado também falou sobre reforma da Previdência, reforma tributária e ajuste das contas públicas. Em determinado momento, porém, foi pressionado a explicar como faria seu ajuste fiscal e evitou detalhar alguns pontos, inclusive sobre idade mínima para aposentadoria.

A relação com os entrevistadores foi um dos grandes assuntos da noite.

Caiado interrompeu e reagiu diversas vezes às perguntas de Renata Vasconcellos e César Tralli. Em determinado momento, Renata precisou elevar a voz para conseguir concluir uma pergunta. A postura do candidato provocou forte repercussão nas redes sociais.

As checagens também encontraram problemas em algumas declarações. Caiado atribuiu à Europol poderes executivos que a agência não possui e apresentou dados sobre facções criminosas fora de contexto. A comparação feita por ele entre a anulação das condenações de Lula e uma eventual anistia aos presos do 8 de Janeiro também foi considerada exagerada.

Principais temas: anistia, 8 de Janeiro, segurança pública, narcotráfico, Previdência, reforma tributária e ajuste fiscal.

Principal polêmica: os embates com os entrevistadores e a defesa de uma anistia ampla para Bolsonaro e condenados do 8 de Janeiro.

Impressão geral: Caiado mostrou disposição para defender suas posições, mas foi criticado por não responder diretamente a algumas perguntas e por entrar em confronto com a bancada.

RENAN SANTOS: discurso antissistema e propostas que causaram surpresa

O terceiro entrevistado foi Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre e candidato pelo Missão.

A sabatina foi uma das que mais chamou atenção pelas propostas apresentadas.

Renan tentou se colocar como candidato antissistema, com um discurso de ruptura com a política tradicional. Segurança pública foi um dos principais assuntos.

O candidato defendeu uma política extremamente dura contra o crime organizado e chegou a falar em “guerra” contra as facções.

Mas o momento que mais chamou atenção foi sua defesa de que o Brasil deveria desenvolver armamento nuclear. A declaração repercutiu amplamente e acabou sendo um dos assuntos mais comentados da entrevista.

Renan também falou sobre Previdência, relações internacionais, BRICS, mudanças institucionais e políticas de segurança.

Outro ponto polêmico envolveu declarações de integrantes de seu grupo político sobre mudanças no direito ao voto, tema que também foi abordado durante a entrevista.

As checagens apontaram diversos problemas em declarações feitas pelo candidato, incluindo afirmações sobre feminicídio, emergência climática e punições contra organizações criminosas.

Principais temas: segurança pública, crime organizado, armas nucleares, Previdência, política externa, BRICS e mudanças institucionais.

Principal polêmica: a defesa do desenvolvimento de uma arma nuclear pelo Brasil e o discurso de endurecimento contra criminosos.

Impressão geral: Renan Santos conseguiu chamar atenção e apresentar uma candidatura claramente diferente das demais, mas algumas propostas foram consideradas controversas ou pouco detalhadas.

LULA: corrupção, INSS, filho, economia e a disputa pela narrativa

A quarta sabatina foi a mais aguardada da semana.

Lula chegou à entrevista como presidente e candidato à reeleição e foi submetido a uma sequência de perguntas envolvendo seu governo, investigações, economia e questões relacionadas à família.

A entrevista começou justamente pelo tema mais sensível: as investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger.

Lula afirmou que não interferirá nas investigações e que, caso seu filho tenha cometido algum ilícito, deverá responder como qualquer cidadão.

O problema surgiu quando Lula afirmou que nunca havia visto ou conversado com Roberta Luchsinger. Registros e fotografias publicados anteriormente pela própria empresária mostraram os dois juntos, levando a uma forte repercussão após a entrevista. A Lupa classificou a declaração como incorreta.

As contas públicas também ocuparam espaço importante.

Lula defendeu sua política econômica, afirmou ter responsabilidade fiscal e destacou investimentos e programas sociais.

Outro momento marcante ocorreu quando o presidente afirmou que “acabou com a fome duas vezes”. Embora o Brasil tenha efetivamente saído do Mapa da Fome da ONU, a checagem considerou exagerada a forma como a declaração foi apresentada.

Lula também falou sobre educação, universidades, segurança pública e estatais. Afirmou que não pretende privatizar os Correios e defendeu maior integração entre União, estados e municípios na segurança.

A entrevista também teve momentos de tensão envolvendo a cobertura da Lava Jato e referências a antigos “powerpoints” usados contra Lula.

Principais temas: Lulinha, INSS, corrupção, Banco Master, contas públicas, fome, educação, segurança e estatais.

Principal polêmica: a afirmação de Lula de que não conhecia Roberta Luchsinger, posteriormente confrontada por registros fotográficos.

Impressão geral: Lula demonstrou experiência em entrevistas e conseguiu controlar boa parte da narrativa, mas também foi colocado sob forte pressão em temas relacionados ao filho, às contas públicas e às investigações.

FLÁVIO BOLSONARO: Banco Master, Bolsonaro, economia e dificuldades para detalhar propostas

Na sexta-feira, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, enfrentou a bancada.

A entrevista tinha uma particularidade: era a primeira grande sabatina nacional de Flávio como candidato presidencial e ocorreu em meio às discussões envolvendo seu pai, Jair Bolsonaro, e o cenário político da direita.

Um dos principais assuntos foi sua relação com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e a negociação envolvendo recursos para o filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro.

Flávio tentou apresentar a relação como uma questão privada e relacionada ao financiamento do filme, mas foi pressionado pelos jornalistas sobre mensagens e declarações anteriores.

O assunto ocupou boa parte da entrevista e se transformou no principal ponto de desgaste.

Flávio também foi questionado sobre rachadinha, sua relação com Jair Bolsonaro, segurança pública, economia, salário mínimo e meio ambiente.

No tema econômico, prometeu reduzir ministérios e fazer um grande corte de gastos, chamado por ele de “tesouraço”, mas teve dificuldade para apresentar números concretos sobre o reajuste do salário mínimo e sobre como seria executado o ajuste fiscal.

No meio ambiente, foi questionado sobre declarações anteriores relacionadas ao aquecimento global. Flávio não respondeu diretamente se considera ou não que existe aquecimento global e acabou direcionando a resposta para saúde pública.

A entrevista também chamou atenção pela utilização de uma espécie de “cola” pelo candidato durante a sabatina, fato que repercutiu nas redes sociais.

Principais temas: Banco Master, Daniel Vorcaro, “Dark Horse”, Jair Bolsonaro, rachadinha, economia, salário mínimo, meio ambiente e saúde.

Principal polêmica: sua relação com Vorcaro e a dificuldade em explicar de forma detalhada a negociação envolvendo o filme.

Impressão geral: Flávio evitou grandes confrontos e conseguiu atravessar a entrevista sem um grande desastre, mas teve dificuldade para detalhar propostas econômicas e responder de forma convincente aos questionamentos sobre o Banco Master. Análises publicadas após a sabatina destacaram justamente essa falta de explicações.

AUGUSTO CURY: inteligência artificial, drones e uma candidatura fora do padrão

A última entrevista foi provavelmente a mais diferente da série.

Augusto Cury, candidato do Avante, tentou construir uma imagem de candidato distante da polarização entre Lula e Bolsonaro.

Com um discurso baseado em saúde mental, educação, tecnologia e desenvolvimento humano, Cury apresentou propostas bastante diferentes das defendidas pelos demais candidatos.

Entre elas esteve a criação de um “Ministério da Inteligência Artificial” e uma ampla utilização de tecnologia pelo governo.

Na saúde, defendeu a expansão da telemedicina no SUS.

Mas foi na segurança das mulheres que surgiu uma das propostas mais comentadas da noite: Cury defendeu o uso de drones para monitorar homens investigados ou denunciados por violência doméstica, como parte de uma política de prevenção ao feminicídio. A proposta rapidamente viralizou nas redes sociais.

Cury também defendeu uma maior tributação das apostas esportivas e apresentou ideias para redução de cargos comissionados.

Outro ponto chamou atenção: o candidato citou um imposto que não existe no Brasil ao explicar sua proposta tributária, o que gerou críticas e questionamentos sobre seu domínio de temas econômicos.

Na política externa, também defendeu a presença de influenciadores no Itamaraty.

Sua entrevista dividiu opiniões. Parte do público considerou suas propostas inovadoras, enquanto críticos apontaram excesso de frases motivacionais, falta de detalhamento técnico e respostas consideradas pouco objetivas.

Principais temas: inteligência artificial, telemedicina, feminicídio, drones, bets, cargos comissionados, política externa e saúde mental.

Principal polêmica: a proposta de utilizar drones contra o feminicídio e a referência a um imposto inexistente.

Impressão geral: Cury foi o candidato que mais apresentou propostas fora do padrão tradicional, mas também foi o que mais despertou dúvidas sobre a viabilidade e o detalhamento de algumas delas.

E afinal, quem foi melhor?

A série terminou sem um consenso claro sobre um grande vencedor.

As avaliações publicadas após as entrevistas foram bastante diferentes. Uma análise da imprensa apontou que as sabatinas foram marcadas por nervosismo, generalidades e momentos de desconforto, concluindo que nenhum dos seis candidatos saiu completamente derrotado ou como um vencedor absoluto.

Ainda assim, é possível dividir os desempenhos em diferentes características:

Lula foi o candidato com maior experiência política e mostrou capacidade de controlar a narrativa, embora tenha enfrentado um dos momentos mais delicados da série ao ser confrontado sobre Roberta Luchsinger.

Renan Santos foi o candidato que mais surpreendeu pelas propostas e pelo discurso de ruptura, mas também apresentou algumas das ideias mais controversas.

Zema tentou vender sua experiência administrativa e sua gestão fiscal, porém foi pressionado por contradições e dados questionados.

Caiado mostrou firmeza em pautas de segurança e anistia, mas seu comportamento diante dos entrevistadores prejudicou sua imagem para parte do público.

Flávio Bolsonaro conseguiu atravessar a entrevista sem grandes explosões, mas não convenceu completamente ao explicar sua relação com o Banco Master e teve dificuldade para apresentar detalhes de seu programa econômico.

Augusto Cury apostou na inovação e em propostas diferentes, principalmente em inteligência artificial, telemedicina e drones, mas algumas ideias foram consideradas pouco convencionais e até difíceis de executar.

Agora é com você

Depois de seis entrevistas, fica a pergunta:

Quem foi o melhor candidato na sabatina da Globo?

Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos ou Augusto Cury?

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