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BARULHO, TRÂNSITO E REVOLTA: moradores do Jardim Laguna questionam barródromo e condomínio de 360 apartamentos em Linhares

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Comunidade aponta impactos na qualidade de vida, questiona a destinação de área pública e teme agravamento dos congestionamentos nos bairros da região.

O bairro Jardim Laguna, em Linhares, vive um momento de preocupação entre moradores que temem mudanças na rotina, no sossego e na mobilidade urbana. Duas situações estão no centro das reclamações da comunidade: a instalação do novo barródromo, que passou a receber competições automobilísticas, e a implantação de um condomínio residencial com 360 apartamentos.

 

As questões levantadas pelos moradores vão além de obras e novos empreendimentos. Envolvem o uso dos espaços urbanos, os impactos sobre quem já vive na região e a capacidade da infraestrutura pública de acompanhar o crescimento da cidade.

 

Barródromo: lazer para uns, preocupação para outros

 

A transferência do barródromo de Linhares para o Jardim Laguna colocou o bairro no circuito das competições de automobilismo e kart no barro. A nova pista tem aproximadamente 1.200 metros de extensão, e sua construção ficou sob responsabilidade da Prefeitura de Linhares, em uma área concedida pelo Governo do Estado.

Em 27 de setembro, o local recebeu etapas da Copa Norte de Marcas e Pilotos e da Copa de Kart no Barro, a competição marcou a estreia do novo circuito na região.  Embora eventos esportivos possam movimentar a economia e oferecer entretenimento, moradores relatam preocupação com o barulho provocado pelos motores e com os efeitos das competições sobre a tranquilidade da vizinhança.

Segundo os relatos encaminhados à reportagem, o bairro reúne famílias que vivem há muitos anos na região, pessoas idosas e famílias atípicas, que podem ser particularmente afetadas por ambientes com ruídos intensos.

A comunidade também questiona a destinação da área. De acordo com os moradores, o espaço estaria previsto para a implantação de uma praça pública com área verde e opções de lazer. Eles afirmam que essa finalidade constava no Plano Diretor Municipal (PDM) apresentado em 2024.

A informação, no entanto, precisa ser confrontada com os mapas oficiais de zoneamento, os documentos urbanísticos aplicáveis à área e os atos que autorizaram a instalação do circuito. A Prefeitura deve esclarecer qual era a destinação prevista para o terreno, se houve alteração e quais estudos embasaram a decisão.

A discussão não se resume a ser contra ou a favor do automobilismo. O ponto central é saber se a escolha do local considerou os moradores do entorno, os níveis de ruído, os horários das atividades e as medidas necessárias para reduzir os impactos.

 

Condomínio com 360 apartamentos acende alerta sobre o trânsito

 

A segunda preocupação envolve a construção de um condomínio anunciado para o bairro Jardim Laguna. Segundo informações obtidas, o projeto prevê cinco torres residenciais, com térreo e mais cinco pavimentos, totalizando 360 apartamentos. O terreno tem 26.219,37 metros quadrados, e a área construída prevista é de 22.410,95 metros quadrados.

A dimensão do projeto, entretanto, levanta uma questão importante para além da estrutura oferecida aos futuros moradores: a infraestrutura viária da região está preparada para absorver o aumento da circulação de veículos?

Moradores afirmam que manifestaram preocupação durante uma audiência pública realizada para discutir a implantação do condomínio. Segundo eles, as manifestações da comunidade não teriam impedido o avanço do empreendimento, o que gerou questionamentos sobre o peso dado à opinião dos residentes no processo de decisão.

O que a população tem o direito de conhecer são os estudos técnicos, as condições do licenciamento e as medidas previstas para prevenir ou compensar os impactos identificados.

 

Linha Verde pode sentir os efeitos do crescimento

 

A preocupação com o condomínio não se limita ao Jardim Laguna. De acordo com moradores, bairros próximos, como Lagoa do Meio, São José e BNH, também podem sentir os efeitos do aumento do fluxo de veículos.

A Linha Verde é apontada pela comunidade como um dos pontos de atenção, especialmente nos horários de pico, quando motoristas já enfrentam filas e lentidão na região.

Com a implantação de 360 apartamentos, o potencial aumento de deslocamentos diários exige uma avaliação cuidadosa. Isso não significa que cada unidade terá necessariamente um veículo ou que todos os moradores utilizarão as mesmas rotas, mas o porte do empreendimento torna indispensável analisar a demanda adicional sobre o sistema viário.

A Prefeitura precisa esclarecer se o projeto foi submetido a um Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), a uma avaliação de impacto no trânsito ou a estudos equivalentes exigidos pela legislação aplicável. Também é importante saber se foram previstas intervenções viárias, melhorias nos acessos, sinalização ou outras medidas para reduzir os possíveis congestionamentos.

O município já reconheceu, em outras ocasiões, desafios relacionados à circulação na região. Em dezembro de 2024, por exemplo, a Prefeitura anunciou a implantação de semáforos nos bairros Palmital e Linhares V, citando o aumento do fluxo de veículos e a necessidade de melhorar a segurança e organizar o trânsito.

O receio dos moradores é que o crescimento imobiliário avance mais rapidamente do que as soluções para a mobilidade, fazendo com que a população já residente arque com parte dos efeitos de uma expansão sem planejamento suficiente.

 

Crescimento urbano precisa respeitar quem já mora na região

 

O Jardim Laguna está diante de duas transformações que exigem respostas públicas. De um lado, a instalação de um equipamento voltado ao automobilismo, com eventos que podem provocar ruídos e alterar a rotina do entorno. De outro, um empreendimento residencial de grande porte, capaz de aumentar a demanda por circulação, serviços e infraestrutura.

As duas situações têm características diferentes, mas levantam uma mesma questão: como conciliar desenvolvimento, atividades de lazer e expansão imobiliária com a qualidade de vida da população?

Também é necessário distinguir as reivindicações dos moradores de eventuais irregularidades legais, que somente podem ser apontadas após a análise dos documentos e das normas aplicáveis.

O que não pode faltar é uma resposta objetiva do poder público. Se a área do barródromo tinha outra destinação prevista, é necessário esclarecer o que mudou. Se o condomínio foi aprovado após estudos técnicos, é importante tornar esses documentos acessíveis e explicar como os impactos serão administrados.

A reportagem deixa o espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Linhares, da organização da Copa Norte de Marcas e Pilotos e da construtora responsável pelo condomínio caso desejem apresentar esclarecimentos sobre os questionamentos levantados pelos moradores, a destinação da área do barródromo, os impactos dos eventos, o processo de aprovação do condomínio e as medidas previstas para a mobilidade urbana da região.

 

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