Morador de Cachoeiro de Itapemirim tem coleção com mais de 3 mil santinhos eleitorais

Por: Élcio Rissi
Em tempos digitais, em que muitas pessoas não conseguem imaginar o mundo longe das redes sociais e das propagandas fora das telas, é interessante conhecer a história do guarda civil municipal de Cachoeiro, Alexandre Leal Rodrigues, de 49 anos.
Ele coleciona panfletos com propaganda de políticos, os tradicionais santinhos, usados nas campanhas eleitorais para divulgar as propostas e apresentar os candidatos aos eleitores, há 30 anos.
Segundo ele, sua coleção é uma riqueza que merece ser preservada e que por isso coleciona “santinhos” das eleições municipais em Cachoeiro.
“Muitas pessoas podem pensar que é uma besteira, mas só quem coleciona algo pode explicar. É uma alegria, é muito gratificante pegar isso tudo e ficar revendo os amigos que tentaram a vida política, os que já se foram”.
O colecionador conta que a ideia de guardar essas imagens dos possíveis prefeitos e vereadores de sua cidade surgiu em 1992.
“Antigamente aconteciam muitos ‘showmícios’ nos bairros e a gente ia a todos por causa dos shows e lá nos entregavam esses santinhos e eu resolvi colecioná-los. Só que depois joguei todos fora, achei que não iria conseguir”.
Só a partir da disputa eleitoral seguinte, em 1996, o guarda civil municipal retomou a coleção que alimenta até os dias de hoje em seis pastas – uma para cada eleição – e mais de três mil “santinhos”. Todos sinalizados com quais daqueles nomes foram eleitos e com a quantidade de votos que cada um recebeu.
“Foi uma coisa sem explicação, comecei por começar. Não sei o que me deu na cabeça. Pensei: ‘agora eu vou começar novamente’”, contou.
O colecionador faz questão de reunir o maior número possível de nomes. Os candidatos aos cargos de prefeito ocupam as primeiras páginas das pastas. Em seguida, vêm as imagens dos candidatos aos cargos de vereador, organizadas por partido. Por isso, o processo de coleta do material mobiliza toda a família e amigos.
Alexandre conta que quando começou pedia para seus colegas pegarem os santinhos, que ele verificava em casa qual ainda não tinha.
“Hoje, muitos amigos ainda me ajudam e eu tenho até ajuda da família. Minhas duas filhas e minha netinha já sabem que eu gosto e me trazem tudo”.
O colecionador diz que não sabe descrever o que sente e que gosta de mostrar a coleção para as pessoas que gostam de política.
“É muito gostoso as pessoas me ligarem me avisando que conseguiram um santinho que ainda não tenho. É gratificante”.
Quando não encontra o material de campanha nas ruas, Alexandre recorre ao site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Por isso escolhi as eleições municipais, porque é mais fácil. Mas quando não encontro o que quero, recorro ao site”.
Não é difícil que Alexandre seja questionado sobre o porquê de dedicar tanto tempo e esforços à prática. Mas, como bom colecionador, ele deixa de lado as críticas e segue mantendo, com muito orgulho, uma coletânea única.
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