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Greve, rombo bilionário e novo empréstimo: Correios entram em nova fase de crise

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Trabalhadores iniciaram paralisação nacional por tempo indeterminado enquanto estatal acumula prejuízo de R$ 5,55 bilhões e busca novo empréstimo de R$ 7 bilhões

Os Correios entraram em uma nova fase de turbulência nesta sexta-feira (11). Trabalhadores da estatal iniciaram uma greve nacional por tempo indeterminado, após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela empresa durante as negociações da campanha salarial de 2026.

A paralisação começou às 22h de quinta-feira (10), depois de assembleias realizadas em diferentes regiões do país. Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), as negociações terminaram sem acordo, mesmo após rodadas de discussão e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Um dos principais pontos de conflito envolve o plano de saúde dos empregados, aposentados e seus dependentes. Os trabalhadores rejeitam mudanças na condição dos Correios como mantenedores do benefício. A empresa afirma, por outro lado, que apresentou uma proposta com reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios e manutenção de 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente.

Crise financeira agrava cenário

A greve acontece justamente quando os Correios enfrentam uma das situações financeiras mais delicadas de sua história recente.

A estatal fechou o primeiro semestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões, valor 30,4% superior ao resultado negativo registrado no mesmo período de 2025.

Somente entre abril e junho, o prejuízo chegou a R$ 2,39 bilhões. Apesar do resultado negativo, houve uma melhora em relação aos três primeiros meses do ano, quando a estatal registrou perda de R$ 3,16 bilhões. A própria empresa afirma que o segundo trimestre apresentou evolução em indicadores como receita líquida e resultado operacional.

Novo empréstimo de R$ 7 bilhões

Em meio ao cenário de dificuldades, os Correios também formalizaram um pedido para contratar R$ 7 bilhões em novos empréstimos junto a bancos privados.

A operação depende de garantia do Tesouro Nacional e envolve Banco ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan. O financiamento proposto terá prazo de 15 anos, com três anos de carência.

O novo crédito vem poucos meses depois de outra operação de R$ 12 bilhões, contratada em 2025 também com garantia da União. A estratégia faz parte do plano de reestruturação financeira da estatal.

Governo prevê mais R$ 6 bilhões

A crise também chegou ao Orçamento da União. A proposta orçamentária para 2027 prevê R$ 6 bilhões em recursos para os Correios, dentro da estratégia de recuperação financeira da empresa.

O aumento expressivo dos recursos destinados ao Ministério das Comunicações está diretamente relacionado ao aporte previsto para a estatal. A proposta ainda será analisada pelo Congresso Nacional e poderá sofrer alterações.

Privatização está descartada?

Apesar da crise, o governo federal afirma que não pretende privatizar os Correios. Ao mesmo tempo, a administração federal admite discutir parcerias com a iniciativa privada como parte da estratégia para modernizar e recuperar a empresa.

O desafio agora é equilibrar as contas, garantir a continuidade dos serviços e enfrentar a crescente concorrência no setor de encomendas e comércio eletrônico.

Com a greve, o novo pedido de crédito e bilhões em prejuízos acumulados, os Correios vivem uma combinação delicada: pressão dos trabalhadores, necessidade de caixa e cobrança por uma reestruturação capaz de tornar a estatal novamente sustentável.

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